Naufrágio Madre de Dios na Praia de Castelhanos: confira!
- Márcio Torres

- há 6 dias
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Atualizado: há 6 dias
O naufrágio da nau Madre de Dios aconteceu em data tão remota que hoje em dia é muito difícil encontrar vestígios da embarcação submersa, bem como definir precisamente o seu local exato. Mas a lenda se perpetuou com o tempo, seja entre cronistas antigos ou no imaginário popular.
O fato é que a Praia da Ponta dos Castelhanos foi eternizada como o local do fatídico evento, o que de certa forma não pode ser descartado.

Por isso, visitar a Ponta dos Castelhanos é uma das melhores opções do que fazer em Boipeba, tanto pelas suas belezas naturais genuínas e paradisíacas, como pelos efeitos que as histórias do naufrágio costumam gerar nas pessoas.
Se você foi tocado por essa história e se apaixonou pela ideia de conhecer este paraíso pessoalmente, veio ao conteúdo certo! Continue conosco e descubra, a seguir, todas as informações possíveis sobre a Madre de Dios e sua relevância para a região.
Como foi o naufrágio Madre de Dios
Alguns cronistas dos séculos XIX, XX e XXI, como o padre Manuel da Nóbrega, Malheiros Dias, Varnhagen, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Thales de Azevedo, Pedro Calmon, Silva Campos e Eduardo Bueno, entre outros, afirmaram que a extremidade sul de Boipeba teria sido o palco do naufrágio da nau castelhana Madre de Dios.

Porém, uma pesquisa científica recente coloca em dúvida essa questão e como ainda não foi publicada, não será dessa vez que os detalhes sobre o assunto poderão ser trazidos. Somente informações gerais que, pela sua natureza, já trazem alguma luz aos amantes do tema.
De acordo com as documentações espanholas mais antigas que datam dos séculos XVI, XVII e XIX, não existem informações conclusivas quanto à exatidão do local do naufrágio, podendo o mesmo ter ocorrido entre as ilhas de Tinharé e Boipeba.
Sabe-se que a expedição era comandada por Simón de Alcazaba e possuía duas embarcações, as naus San Pedro e Madre de Dios. Ao retornar de uma mal sucedida tentativa em atravessar o Estreito de Magalhães, o capitão-mor sofreu um motim e foi assassinado. Era o início de um retorno deplorável para a Espanha, que renderia ainda muitas outras mortes.
Mais adiante e durante a navegação, as naus se perderam uma da outra, sendo que a San Pedro conseguiu chegar à Baía de Todos os Santos, enquanto a Madre de Dios naufragou no litoral do Arquipélago de Cairu.
Sabe-se que os náufragos desembarcaram na praia e conviveram com os tupinambás durante alguns dias, mas por alguma razão, houve um conflito que gerou a morte de 90 espanhóis.
Os sobreviventes entraram em uma chalupa (embarcação pequena a remo utilizada para o desembarque nas praias) e conseguiram chegar em Salvador, sendo acudidos por Diogo Álvares “Caramuru” e sua esposa tupinambá Catarina Paraguaçu.
Caramuru ainda foi ao local do naufrágio buscar 4 sobreviventes que estavam escondidos dos nativos e, desse encontro, surgiu a lenda cristã do “Sonho de Paraguaçu”, que motivou a construção da Igreja de Nossa Senhora da Graça em Salvador. Mas essa é uma outra história a ser contada em outro artigo.

Os sobreviventes conseguiram retornar para a Espanha e deixaram relatos escritos que fundamentam superficialmente este texto, e mais profundamente, a pesquisa que em breve será publicada em alguma revista científica.
Segue abaixo mais informações que complementam este breve contexto histórico sobre a Madre de Dios:
A Madre de Dios era a nau capitânea onde navegava o capitão-mor Simón de Alcazaba. Com a San Pedro, buscavam empossar o capitão como governador das terras doadas a ele pela coroa espanhola.
Alcazaba realizava a expedição de exploração em busca de metais preciosos como ouro e prata, já que pouco antes seus contemporâneos Hernán Cortez e Francisco Pizarro haviam encontrado as riquezas dos Astecas e dos Incas no México e Peru, respectivamente.
O naufrágio da nau Madre de Dios ocorreu em 1535, antes do início do povoamento português na Bahia, que se deu com a divisão do litoral brasileiro em Capitanias Hereditárias.
Aproximadamente 90 pessoas das 111 que estavam na embarcação, morreram em luta com os Tupinambás após desentendimentos.
É provável que o naufrágio tenha ocorrido na ponta sul da Ilha de Boipeba, local que por essa razão ficou conhecido como Ponta dos Castelhanos.
A história do naufrágio Madre de Dios é tão emblemática que costuma atrair muitos adeptos do mergulho, e mesmo que não seja possível ver os restos do naufrágio, observar a praia e imaginar toda essa história é muito especial. Não há quem não queira ver de perto esse pedaço ainda preservado que remete ao Brasil antes de ser conquistado.

Praia de Castelhanos além do naufrágio Madre de Dios
Vale destacar também que a Praia da Ponta dos Castelhanos possui características naturais que a tornam uma das mais belas do país.
Coqueiros centenários, manguezal, mar calmo e piscinas naturais fazem parte do contexto dessa exuberante e delicada praia, um lugar muito especial para passar o dia. Por isso, é um ótimo destino, tanto para quem busca um lugar paradisíaco, quanto para os mergulhadores atrás de aventuras.
Outros lugares para mergulhar em Boipeba
Realizar um mergulho autônomo é uma experiência realmente única, e pode ser praticada por qualquer pessoa, e não apenas os certificados. Para tanto, existe o mergulho de batismo, com instruções e guiamento de instrutores profissionais.
Mas caso você não pretenda fazer um curso de mergulho ou realizar o batismo, não desanime: o mergulho com snorkel também te permitirá ver coisas incríveis, e pode ser praticado em locais igualmente paradisíacos, como as piscinas naturais de Moreré e a própria Praia de Castelhanos.
Comece a se preparar para viver essa experiência!

Agora que você já está por dentro das mais atualizadas informações sobre a nau Madre de Dios, e já entendeu ser a Praia da Ponta dos Castelhanos um verdadeiro paraíso, conheça mais sobre o site de Boipeba produzido pela Bahia Terra Turismo.
Nele você encontra todas as informações sobre a linda Ilha de Boipeba, como história, cultura, datas festivas, o que fazer, como chegar, hospedagens, restaurantes, e muito mais.
Bibliografia
AZEVEDO, Thales de. Povoamento da cidade do Salvador. Salvador: Ed. Itapuã, 1969.
BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. O feudo: a Casa da Torre de Garcia d’Ávila: da conquista dos sertões à independência do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
BUENO, Eduardo. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.
CALMON, Pedro. História da Fundação da Bahia. Salvador: Imprensa da Vitória, 1949.
CAMPOS, Silva. Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, 1981.
DIAS, Carlos Malheiros. A História da Colonização Portuguesa no Brasil. vol 3. Porto, Litografia Nacional, 1924.
NÓBREGA, Manuel da. Cartas Jesuíticas I – Cartas do Brasil do Padre Manuel da Nóbrega (1549-1560) – Materiaes e Achêgas para a História e Geografia do Brasil – Publicado por ordem do Ministério da Fazenda – Nº 2. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1886.
VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História Geral do Brasil. 2ª edição, Tomo – I. Rio de Janeiro: E. e H. Laemmert, 1854.
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com




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