História do Arquipélago de Tinharé

Conheça um pouco da história do Arquipélago de Tinharé, incluindo Boipeba, Cairu e o Morro de São Paulo. Índios tupinambás, africanos, portugueses, jesuítas, holandeses e espanhóis fazem parte dessa rica história que pertence à origem do Brasil.

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A história da região é mais antiga que a época da chegada dos portugueses, já que o arquipélago era habitados pelos povos tupinambás, do tronco linguístico Tupi. As primeiras expedições de exploração enviadas por El Rey D. Manuel I e que sucederam a chegada de Cabral nessas terras em 1500, citam a presença marcante da ilha de Tinharé e seu morro alto. 

Mas a colonização se inicia no ano de 1531, quando Martim Afonso de Souza, militar nobre à serviço de El Rey, chega à ilha e a nomeia por "Tynharéa", expressão utilizada pelos tupinambás que lá viviam.

 

Passam os anos e Portugal decide dividir o Brasil em Capitanias Hereditárias como sistema de colonização. Em 1534, o fidalgo português Jorge Figueiredo Correia recebeu da Coroa as terras da Capitania de São Jorge dos Ilhéus. O fidalgo sequer conhecia o território e enviou o capitão-mor Francisco Romero para administrar as terras.

 

No ano seguinte, em 1535, a nau-capitânia espanhola "Madre de Dios" naufraga na atual Ponta dos Castelhanos, no sul da ilha de Boipeba. Coincidentemente, nesse momento estava de passagem pelas ilhas, a figura carismática de Diogo Álvares Correia, mais conhecido como "Caramuru". Foi precisamente ele quem colaborou com o salvamento de alguns náufragos sobreviventes a um ataque dos índios.

 

Nesse mesmo ano Francisco Romero escolheu o Morro de São Paulo como sede da capitania, batizando a vila e dando início às primeiras construções. Apesar de pouco tempo depois transferir a sede para a atual cidade de Ilhéus. A Vila de Morro de São Paulo já tinha começado sua nova história e contava com os primeiros moradores portugueses.

 

Em 1537, Jorge Figueiredo Correia dividiu suas terras criando sesmarias, lotes de terra doadas pela Coroa sempre e quando pudessem ser defendidas e colonizadas pelos que as recebiam. Uma delas, a sesmaria das Doze Léguas de Camamu (à qual pertencia a ilha de Boipeba) foi doada para Mem de Sá, que futuramente se tornaria Governador Geral do Brasil.

 

A colônia foi se expandido e os Jesuítas se estabeleceram em Taperoá, território localizado em frente às ilhas e em Cairu.

 

Naquela época, os índios tupinambás eram temidos pelos seus ataques violentos, mas uma grande epidemia de varíola trazida pelos portugueses causou sua morte e dispersão.

 

Mem de Sá se torna o terceiro Governador Geral do Brasil em 1558 e em 1563 doa aos jesuítas a sesmaria das Doze Léguas, que ele tinha recebido de Jorge Figueiredo Correia.

 

Os aimorés avançam atacando Porto Seguro e Ilhéus, fazendo com que refugiados cheguem a Cairu e Boipeba, aumentando a população da região.

 

Em 1565, Lucas Giraldes, segundo dono da Capitania dos Ilhéus, ordena ao seu procurador Baltazar Ferreira Gaivoto a criação das vilas de Cairu, Camamu e Boipeba, mas em função dos constantes ataques dos aimorés, só foi efetivado entre 1608 e 1610.

 

A atual Valença era conhecida como Nossa Senhora do Santo Amparo, que foi atacada pelos aimorés por volta de 1574, causando o abandono completo do povoado e a fuga dos moradores para as ilhas.

 

Boipeba se desenvolveu rapidamente graças a chegada dos colonos que fugiam dos aimorés. A vila se encarregava de produzir diversos alimentos para abastecer Salvador e outras cidades baianas.

 

Entre os anos de 1608 e 1610, Boipeba passou a ter a condição de vila e foi precisamente nesse período que a Igreja do Divino Espírito Santo foi erguida pelos jesuítas. Hoje, a igreja é o monumento histórico mais importante da ilha.

 

Assim como Boipeba, a ilha de Tinharé também se desenvolvia. Em 1623 foi fundada a residência de São Francisco Xavier no Galeão, na ponta oeste da ilha.

 

No ano de 1624, antes de tomar Salvador, os comandantes da esquadra holandesa, Jacob Willekens e Johan van Dortt, fizeram a primeira visita às águas de Tinharé.

 

Em 1625 os holandeses foram derrotados e expulsos de Salvador e pouco tempo depois Tinharé recebeu a segunda visita de uma esquadra holandesa, agora sob o comando de Boudewijn Hendriczood, que ao saber da retomada se dispersou rapidamente.

 

Pieter Van Heyn, o vice-almirante holandês, atacou Salvador várias vezes, permanecendo um tempo no lugar. Em 1628, enviou uma embarcação sob o comando de um brasileiro para saquear a ilha de Tinharé.

 

É nesse momento que surge uma das primeiras lendas da região, um milagre atribuído à Nossa Senhora da Luz, que teria impedido o saque criando uma miragem para os invasores, que acreditavam ter visto a costa protegida por um batalhão de soldados.

 

Pelo ano de 1630, o Governador Geral Diogo Luís de Oliveira ordenou a construção da Fortaleza do Morro de São Paulo. O Forte de Nossa Senhora da Conceição, também conhecido como Forte Velho, levou quase cem anos para a sua conclusão.

 

Nesse período, o arquipélago de Cairu era um importante produtor de farinha e o Governador Antônio Teles da Silva obriga os moradores do arquipélago a abastecerem de farinha todas as tropas até Salvador.

 

Pelo ano de 1730, a Fortaleza de Morro de São Paulo já estava em total funcionamento e foi instituída uma guarda fixa recrutada entre os próprios moradores das ilhas. Com isso a região ficou em evidência, colaborando com seu desenvolvimento.

 

O Primeiro Conde de Sabugosa, Vasco Fernades Cesar De Menezes, Vice-rei do Brasil, ordena a criação de um ponto de fiscalização no Morro, e assim estabelece o controle de acesso às minas de ouro do interior.

 

É nesse momento que o Conde de Sabugosa inicia ousadas obras de extensão na fortaleza do Morro de São Paulo, por considerar a vila ponto estratégico da região. Ergue o 'Forte da Ponta', cujas ruínas ainda existem e manda construir também os fortes do Zimbeiro e do São Luiz, dos quais só restam pequenos fragmentos.

 

Ele também dá início à construção da muralha que acompanharia o canal de entrada, integrando o conjunto da fortificação. Lamentavelmente as obras demoraram anos para ser finalizadas.

 

Em 1746, com o objetivo de abastecer as tropas com água, foi construída a Fonte Grande, que se tornou o maior sistema de abastecimento de água da Bahia colonial. A obra era um exemplo de tecnologia e foi idealizada por um arquiteto francês contratado para esse fim.

 

O Forte do Morro de São Paulo era um importante ponto de defesa, com localização estratégica, contava com cinco construções e muros de 678 metros de extensão, além de dispor de uma tropa de 183 homens e uma boa artilharia, sendo uma das maiores do Brasil na época.

 

Uma tempestade danificou a fortaleza e suas obras de restauração demoraram 20 anos para ser iniciadas. As obras foram realizadas sob a supervisão de Domingo Álvares Branco Muniz, quem dá a elas seu aspecto atual.

 

Em 1799, Nossa Senhora do Santo Amparo é elevada a vila, tomando o nome de Nova Valença do Santíssimo Coração de Jesus, e se separa de Cairu.

 

No ano de 1811 a população de Boipeba migra para o continente e Boipeba perde a categoria de vila. Jequié, localizada no continente e hoje conhecida como Nilo Peçanha, ganha a categoria de vila e recebe o nome de Nova Boipeba.

 

Em 1823, o almirante Lord Thomas Cockrane, junto com as suas tropas, se prepara para as operações da primeira esquadra brasileira em Tinharé, a favor da independência. Nesse período, parte da artilharia do Forte do Morro é levada para Salvador.

 

Em 1859 o Morro de São Paulo recebe a visita da Família Imperial, Dom Pedro II e a Imperatriz.

 

Por Tinharé e Boipeba serem ilhas estratégicas, existem diversas lendas sobre tesouros escondidos. Em 1933 foram realizadas escavações ilegais em busca de um tesouro na Igreja da Velha Boipeba.

 

No ano de 1992 é criada a APA, Área de Proteção Ambiental, nas ilhas de Tinharé e Boipeba, uma importante medida para a preservação das ilhas.

 

Em vários períodos da história, as ilhas de Tinharé e Boipeba demonstraram que, graças a sua localização estratégica, tiveram um papel importante no desenvolvimento da região.

 

Os vestígios da colonização ainda estão presentes em suas construções coloniais, são vestígios vivos de nossa história que encantam e valorizam ainda mais esse lugar privilegiado pela natureza.

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